Novembro 15, 2006

As análises dos modelos de produção, por exemplo, enquanto implicam constantemente a participação ativa das multidões nas atividades produtivas, descrevem as transformações das formas de domínio e sua eficácia.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.85

Novembro 15, 2006

Justamente quando o Império se constitui como soberania imperial, ele entra em crise porque está sendo ameaçado não por um inimigo externo (não existe mais um fora do Império), mas por uma multidão de tensões internas difundidas em todas as direções.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.83

Novembro 15, 2006

Não existem mais povos, mas somente multidões que seguem dinâmicas moleculares, reivindicam diferenças, experimentam cruzamentos e hibridações.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.83

Novembro 15, 2006

O estado de guerra soberano, que na era do império torna-se uma tecnologia de controle que une ação militar e policial, deixa de ter sólidos fundamentos se for confrontado com as formas biopolíticas de contestação. A soberania, neste caso, não apenas não pode pretender ser absoluta, mas entra em uma crise decisiva. Nesse contexto, a soberania deve ser necessariamente dialógica.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.79

Novembro 14, 2006

No quadro analítico dos regimes políticos, pode-se perceber que a soberania passou por uma mutação da forma típica do moderno imperialismo europeu à forma contemporânea de Império. p.75

Novembro 14, 2006

Ao longo de toda a época moderna, o cenário internacional foi dominado por um conjunto de potências soberanas nacionais que limitavam reciprocamente a própria soberania e reinavam sobre as nações e as regiões subordinadas. Em nossa passagem atual para o Império, a soberania dos Estados-nação dominantes está comprometida com um novo poder imperial que a transforma e que, sendo transnacional, tende a um controle global. [...] A soberania imperial não tem exterior, não tem um fora. [...] Em outro sentido, no entanto, a soberania permanece limitada internamente pela relação entre dominador e dominado. A soberania tem sempre, nesse segundo sentido, uma dupla face, é necessariamente um sistema de poder dual.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.74

Novembro 14, 2006

O dia 11 de setembro definitivamente demonstrou que os Estados Unidos são parte do mundo ou, na verdade, que o governo estadunidense não é uma fonte autônoma de soberania, mas integrou-se a um sistema global de relações que definem a forma atual de soberania.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.73

Novembro 14, 2006

A soberania não é uma substância autônoma, mas uma relação entre soberano e súdito. O poder soberano nunca é absoluto. P.73

Novembro 12, 2006

O antiamericanismo é um estado de espírito perigoso, uma ideologia que mistifica os dados de análise e cobre as responsabilidades do capital coletivo. Precisamos afastá-los de nós.

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.31

Novembro 12, 2006

Estamos, pois, diante de uma terceira fase fundamental do trabalho de Império, depois daquela tese institucionalista que declarava não haver globalização sem regulamentação e aquela antinacionalista que percebia a soberania em curso de transição para novas formas. A terceira tese consiste em assumir esses fenômenos na relação de capital. Esta é a pretensão científica fundamental de Império.

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.18