Novembro 15, 2006

A autonomia das políticas sociais e econômicas dos Estados-nações acabou: agora, tudo deve ser regulado em função das contabilidades e dos equilíbrios do sistema financeiro mundial.

Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.41

Novembro 15, 2006

Como definir o Império? É a forma política do mercado mundial, ou seja, o conjunto das armas e dos meios de coerção que o defendem, instrumentos de regulação monetária, financeira e comercial, e, enfim, no interior de uma sociedade mundial “biopolítica”, o conjunto dos instrumentos de circulação, de comunicação e de linguagens.

Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.41

Novembro 15, 2006

Justamente quando o Império se constitui como soberania imperial, ele entra em crise porque está sendo ameaçado não por um inimigo externo (não existe mais um fora do Império), mas por uma multidão de tensões internas difundidas em todas as direções.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.83

Novembro 15, 2006

O estado de guerra soberano, que na era do império torna-se uma tecnologia de controle que une ação militar e policial, deixa de ter sólidos fundamentos se for confrontado com as formas biopolíticas de contestação. A soberania, neste caso, não apenas não pode pretender ser absoluta, mas entra em uma crise decisiva. Nesse contexto, a soberania deve ser necessariamente dialógica.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.79

Novembro 14, 2006

No quadro analítico dos regimes políticos, pode-se perceber que a soberania passou por uma mutação da forma típica do moderno imperialismo europeu à forma contemporânea de Império. p.75

Novembro 14, 2006

Ao longo de toda a época moderna, o cenário internacional foi dominado por um conjunto de potências soberanas nacionais que limitavam reciprocamente a própria soberania e reinavam sobre as nações e as regiões subordinadas. Em nossa passagem atual para o Império, a soberania dos Estados-nação dominantes está comprometida com um novo poder imperial que a transforma e que, sendo transnacional, tende a um controle global. [...] A soberania imperial não tem exterior, não tem um fora. [...] Em outro sentido, no entanto, a soberania permanece limitada internamente pela relação entre dominador e dominado. A soberania tem sempre, nesse segundo sentido, uma dupla face, é necessariamente um sistema de poder dual.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.74

Novembro 12, 2006

Além de pensar a revolução em termos éticos e políticos, nós a pensamos também em termos de profunda modificação antropológica: de mestiçagem e hibridação contínua de populações, de metamorfose biopolítica. o primeiro campo de luta é, desse ponto de vista, o direito universal de movimentar-se, trabalhar, aprender em toda a superfície do globo. A revolução que nós vemos não está, portanto, somente dentro do Império, mas está também através do Império.

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.42

Novembro 12, 2006

O antiamericanismo é um estado de espírito perigoso, uma ideologia que mistifica os dados de análise e cobre as responsabilidades do capital coletivo. Precisamos afastá-los de nós.

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.31

Novembro 12, 2006

A filosofia da modernidade acabou (e, obviamente, as instituições com as quais ela interagiu) terminou. [...] Império é um novo caminho teórico.

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.23

Novembro 12, 2006

Estamos, pois, diante de uma terceira fase fundamental do trabalho de Império, depois daquela tese institucionalista que declarava não haver globalização sem regulamentação e aquela antinacionalista que percebia a soberania em curso de transição para novas formas. A terceira tese consiste em assumir esses fenômenos na relação de capital. Esta é a pretensão científica fundamental de Império.

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.18