A autonomia das políticas sociais e econômicas dos Estados-nações acabou: agora, tudo deve ser regulado em função das contabilidades e dos equilíbrios do sistema financeiro mundial.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.41
Como definir o Império? É a forma política do mercado mundial, ou seja, o conjunto das armas e dos meios de coerção que o defendem, instrumentos de regulação monetária, financeira e comercial, e, enfim, no interior de uma sociedade mundial “biopolítica”, o conjunto dos instrumentos de circulação, de comunicação e de linguagens.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.41
Ao longo de toda a época moderna, o cenário internacional foi dominado por um conjunto de potências soberanas nacionais que limitavam reciprocamente a própria soberania e reinavam sobre as nações e as regiões subordinadas. Em nossa passagem atual para o Império, a soberania dos Estados-nação dominantes está comprometida com um novo poder imperial que a transforma e que, sendo transnacional, tende a um controle global. [...] A soberania imperial não tem exterior, não tem um fora. [...] Em outro sentido, no entanto, a soberania permanece limitada internamente pela relação entre dominador e dominado. A soberania tem sempre, nesse segundo sentido, uma dupla face, é necessariamente um sistema de poder dual.
Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.74
O dia 11 de setembro definitivamente demonstrou que os Estados Unidos são parte do mundo ou, na verdade, que o governo estadunidense não é uma fonte autônoma de soberania, mas integrou-se a um sistema global de relações que definem a forma atual de soberania.
Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.73
O antiamericanismo é um estado de espírito perigoso, uma ideologia que mistifica os dados de análise e cobre as responsabilidades do capital coletivo. Precisamos afastá-los de nós.
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.31
A soberania dos Estados-Nação está em crise. Crise significa que a soberania de transfere do Estado-Nação e vai para algum outro lugar. O problema é definir onde, e trata-se de um problema que permanece aberto. [...] os elementos fundamentais da soberania (exercício do poder militar, cunhagem da moeda, exclusividade cultural) desapareceram do território nacional. Essa perda tem uma genealogia específica, revelada pela incapacidade do Estado-nação de manter o controle sobre a totalidade do território e sobre as forças antagônicas que se movimentam dentro desse território.
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.12-3
Não há globalização sem regulamentação. Não existe uma ordem econômica, uma ordem de trocas que não exija alguma regulamentação. Existem sempre mãos ativas, regras mais ou menos visíveis, de qualquer modo eficazes e sempre manipuladoras, que correm no mercado e em toda sociedade. Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.11