A biopolítica é, portanto, essa perspectiva dentro da qual os aspectos político-administrativos se juntam às dimensões democráticas, para que o governo das cidades e das nações possa ser apreendido de maneira unitária, reunindo ao mesmo tempo os desenvolvimentos naturais da vida e de sua reprodução, e as estruturas administrativas que a disciplinam (a educação, a assistência, a saúde, os transportes etc). [...] uma vez admitida essa definição, é preciso, contudo, ir um pouco mais longe e perguntar-se o que significa biopolítica quando se entra no pós-moderno, ou seja, nessa fase do desenvolvimento capitalista em que triunfa a subordinação real da sociedade como um todo ao capital. [...] o biopolítico mudou de cara: torna-se biopolítico produtivo. Isso significa que a relação entre os conjuntos demográficos ativos (a educação, a assistência, a saúde, os transportes etc) e as estruturas administrativas que os percorrem é a expressão direta de uma potência produtiva. [...] o conjunto das forças produtivas, dos indivíduos e dos grupos se torna produtivo à medida que os sujeitos sociais se vão reapropriando do conjunto. Nesse âmbito, a produção social é completamente articulada através da produção de subjetividade.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.39
É preciso dizer que a força de trabalho que conhecemos, ou seja, a classe operária, lutou para recusar a disciplina de fábrica. [...] vivemos, na segunda metade do século XX, uma transição no cerne da qual o trabalho se emancipou. Emancipou-se por sua capacidade de tornar-se intelectual, imaterial; emancipou-se da disciplina da fábrica. [...] O capitalista é doravante um parasita: não como capitalista financeiro, nos termos marxistas clássicos, mas sim porque não tem mais a capacidade de dominar unilateralmente a estrutura do processo de trabalho, através da divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. As novas formas de subjetividade quebraram e tornaram essa separação reversível, produzindo novos meios de expressão de sua potência e um terreno de luta e de negociação.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.27
Guerra que hoje constitui aquilo que as constituía eram disciplina e controle, se quisermos aceitar a tipologia foucaultinana do poder. Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p. 11