Novembro 15, 2006

O comunismo é a multidão que se torna comum. [...] é o comum que se põe ao um.

Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.32-3

Novembro 15, 2006

E essa capacidade de construir mundos diferentes passa de fato pela noção de comum, pelo comum, ou seja, pelo que representa o humano em seu conjunto.

Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.22

Novembro 15, 2006

Um terceiro exemplo [...] concerne ao poder e à necessidade de controlar a linguagem. Hoje, na produção pós-fordista, a linguagem tornou-se, ela mesma, uma força produtiva. Todo o aparato de signos foi confiado à criatividade do trabalho vivo: isto é o que constitui a forma criadora dominante em nossa sociedade. Trabalha-se com linguagens e constrói-se com signos. Neste ponto, controle dos sentidos e significados dos signos, linguagens e sistemas produtivos são algo que excede qualquer nexo linear possível e, portanto, qualquer controle absoluto sobre as linguagens.

Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.81

Novembro 15, 2006

O fato da linguagem (a produção semiótica, como gosta de apontar Paolo Virno) ter passado a compor a mercadoria exigiu ao capital a necessidade de controlá-la, de modo, a garantir os extratos de valor à mercadoria, administrando assim o excedente de linguagem produzido socialmente. O principal limitador da autonomia do trabalho imaterial constitui hoje no jogo capitalístico de limitação da difusão social das linguagens. Contudo, esse controle absoluto é impossível, e por isso, se constitui um elemento-crise ao próprio capitalismo dependente das multiplicidades das linguagens
Michael Hardt; Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.80

Novembro 14, 2006

O que nos leva a dizer que nos encontramos no começo de uma nova época, e não, mais simplesmente, na fase conclusiva do processo de abstração do trabalho? Nos leva a observação de que, enquanto no período da manufatura, e mais ainda nas duas fases do período da grande indústria, o desenvolvimento da abstração do trabalho e a formação dos processos de cooperação social das forças produtivas eram conseqüência do desenvolvimento da máquina capitalista, industrial e política, agora a cooperação se situa antes da máquina capitalista e como condição independente da indústria. O terceiro período do modo de produção capitalista, após a manufatura, e depois da fase do operário profissional e do operário massa, se apresenta como período do operário social, que reivindica sua própria autonomia de massa, sua própria capacidade de autovalorização coletiva em relação ao capital. Terceira revolução industrial ou tempo da transição ao comunismo?
Antonio Negri, em Ocho tesis preliminares para uma teoria del poder constituynte, (p.3)

Novembro 12, 2006

Estou de acordo com o fato de que o termo “multidão” (e o que ele contém) representa uma posição de radical antiindividualismo político. [...] nosso problema, como para Espinosa, não é juntar os indivíduos isolados, mas construir de maneira cooperativa formas e instrumentos comunitários e conduzir ao reconhecimento (ontológico) do comum. do ar à água até a produção informatizada e as redes, qual é o terreno sobre o qual se estende a liberdade: como se organiza o comum?

Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.45-6