Novembro 15, 2006

É preciso dizer que a força de trabalho que conhecemos, ou seja, a classe operária, lutou para recusar a disciplina de fábrica. [...] vivemos, na segunda metade do século XX, uma transição no cerne da qual o trabalho se emancipou. Emancipou-se por sua capacidade de tornar-se intelectual, imaterial; emancipou-se da disciplina da fábrica. [...] O capitalista é doravante um parasita: não como capitalista financeiro, nos termos marxistas clássicos, mas sim porque não tem mais a capacidade de dominar unilateralmente a estrutura do processo de trabalho, através da divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. As novas formas de subjetividade quebraram e tornaram essa separação reversível, produzindo novos meios de expressão de sua potência e um terreno de luta e de negociação.

Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.27

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