A passagem da “inflação” (de desejos e de necessidades) dos anos subseqüentes a 68 para a desinflação dos custos representa a transição capitalista do moderno ao pós-moderno, do fordismo ao pós-fordismo. É uma transição política no meio da qual o trabalho assalariado foi exaltado como matriz fundamental da produção das riquezas. Mas o trabalho foi separado de sua potência política. Essa potência política provinha de trabalhadores reunidos no interior das fábricas, organizados em estruturas sindicais e políticas fortes. A destruição dessas estruturas deixos atrás de si uma massa informe de proletários agitando-se no terreno: um verdadeiro formigueiro, que produz riquezas através de uma colaboração e cooperação contínuas. [...] E esse é o incrível paradoxo frente ao qual nos encontramos. Isso porque o trabalho ainda é considerado emprego, trabalho “empregado” pelo capital, em estruturas que o submetem diretamente à organização capitalista de produção.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.25-6