Na relação entre nova experiência de exploração e nova experiência de potência constituinte, vivemos um desconforto absurdo. Absurdo porque a construtividade e a produtividade, a nova potência que sentimos no corpo, tudo isso nos impede de sofrer a nova exploração da mesma maneira que sofriam nossos pais: atordoados que eram pelo cansaço e pelo álcool, brutalizados em suas relações sociais, quando não feridos em seus corpos ou doentes no espírito. Até mesmo para sermos explorados devemos ser sãos: esse é o paradoxo da atual fase de desenvolvimento e é sobre esse paradoxo que poderemos pensar a atualidade como uma forma de sociedade diferente e superior.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.12