Não é mais um corpo que pode ser posto a trabalhar, não é mais uma alma que pode viver independente de valores e paixões. Dessa vez é a alma que é posta a trabalhar, e o corpo e a máquina são seu suporte. Para produzir precisa-se cada vez menos de razão e sempre mais de afeto: não apenas as teorias e as práticas tecnológicas nos confirmam isso positivamente: negativamente também nos dizem as doutrinas psicológicas e psiquiátricas. [...] é cansativo: nosso corpo em geral não está à altura da alma e vice-versa. Quando trabalhamos, verificamos nossa tensão construtiva, nossa alma se cansa como um corpo; é de fato miserável! [...] Não há liberdade suficiente para a alma, não há salário suficiente para o corpo, e por isso o trabalho (que é cada vez mais alma e cada vez mais sublima o corpo), nós o experimentamos como separação e exílio. É uma nova experiência de exploração a que vivemos. Mas é também uma nova experiência de constituição ontológica, ou melhor, de metamorfose.
Antonio Negri, em Exílio Iluminuras, 2001, p.11