Em todo momento da produção capitalista, o capital propôs sempre a forma de cooperação. Esta tinha que ser funcional à forma de exploração, quando não inerente. Somente sobre esta base o trabalho se tornava produtivo. Também no período de acumulação primitiva, quando o capital voltou a assumir e obriga a valorização a formas laborais preexistentes, o capital é o que estabelece a forma de cooperação, que consiste no esvaziamento dos vínculos pré-constituídos nos sujeitos laborais tradicionais. Mas agora a situação mudou completamente. O capital se converteu em uma potência de captura, um fantasma, um ídolo: ao seu redor se desenvolveram processos de autovalorização, radicalmente autônomos, que tão somente o poder político, por boas ou más, consegue submeter para pô-la em forma capitalista. A passagem do econômico ao político, que aqui se produz, e em dimensões globais no que concerne à vida social produtiva, se realiza não porque o econômico se tornou um determinante menos essencial, mas sim unicamente porque o político pode arrancar ao econômico da tendência que o chega a confundir-se com o social e a realizar-se na autovalorização.
Antonio Negri, em Ocho tesis preliminares para uma teoria del poder constituynte, P.8