[...] Perde toda importância a distinção entre trabalho produtivo e improdutivo; entre produção e circulação; trabalho simples e trabalho socialmente necessário. [...] o trabalho produtivo já não é de fato <o que produz diretamente capital>, mas sim o que reproduz o social; desde esse ponto de vista a separação do trabalho produtivo resulta completamente ultrapassada. [...] é preciso revelar que a produção vai sendo cada vez mais subsumida na circulação e vice-versa. [...] também assistimos a uma requalificação total da relação entre trabalho simples e complexo (ou qualificado, ou especializado, ou teórico, ou científico). [...] Efetivamente já não se trata de uma relação linear e quantificável, mas sim uma reconversão entre estratificações ontológicas de tudo originais. Finalmente o que aqui se submete à crítica é o critério da exploração. Seu conceito já não é revisável sob a categoria da quantidade. A exploração é pelo contrário o signo político da dominação sobre e contra a valorização humana do mundo histórico-natural, é poder sobre e contra a cooperação social produtiva.
Antonio Negri, em Ocho tesis preliminares para uma teoria del poder constituynte, (p.3)