Foucault é autor de uma antropologia certamente libertária, mas não individualista, construtora de uma biopolítica na qual não é mais o indivíduo, mas um sujeito que está se plasmando
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.24
A filosofia da modernidade acabou (e, obviamente, as instituições com as quais ela interagiu) terminou. [...] Império é um novo caminho teórico.
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.23
Estamos, pois, diante de uma terceira fase fundamental do trabalho de Império, depois daquela tese institucionalista que declarava não haver globalização sem regulamentação e aquela antinacionalista que percebia a soberania em curso de transição para novas formas. A terceira tese consiste em assumir esses fenômenos na relação de capital. Esta é a pretensão científica fundamental de Império.
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.18
A soberania dos Estados-Nação está em crise. Crise significa que a soberania de transfere do Estado-Nação e vai para algum outro lugar. O problema é definir onde, e trata-se de um problema que permanece aberto. [...] os elementos fundamentais da soberania (exercício do poder militar, cunhagem da moeda, exclusividade cultural) desapareceram do território nacional. Essa perda tem uma genealogia específica, revelada pela incapacidade do Estado-nação de manter o controle sobre a totalidade do território e sobre as forças antagônicas que se movimentam dentro desse território.
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.12-3
Não há globalização sem regulamentação. Não existe uma ordem econômica, uma ordem de trocas que não exija alguma regulamentação. Existem sempre mãos ativas, regras mais ou menos visíveis, de qualquer modo eficazes e sempre manipuladoras, que correm no mercado e em toda sociedade. Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.11
Guerra que hoje constitui aquilo que as constituía eram disciplina e controle, se quisermos aceitar a tipologia foucaultinana do poder. Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p. 11
O segundo exercício consistiria em definir a ontologia social que está na base da conceituação de Império. Ontologia determinada pelas transformações sociais que ocorreram tanto no campo do trabalho (a passagem tendencial a uma situação hegemônica do trabalho imaterial, ou seja, a transição do fordismo ao pós-fordismo) quanto no campo da política (a passagem a uma nova composição social, a uma nova conexão entre produção, reprodução e circulação dos bens e dos sinais, em um cenário que denominamos de biopolítica).
Antonio Negri, em Cinco Lições sobre o Império, 2003, p.10